Cartas do autor

04/09/2021 - Caldas/MG

Há 6 meses atrás meu pai desencarnou, vítima da covid-19. Eu, minha mãe, minha irmã e meu companheiro sobrevivemos. Algumas sequelas ainda estão presentes para nós. Meu sintoma mais desesperador foi ficar sem olfato e paladar, esses sentidos que tanto nos preenchem. Sem eles dá uma sensação de vazio em nosso ser, já que somos meio bichos. Você pode conhecer meu pai, se quiser, que se despediu da Terra nos convidando a não ter medo de tentar. Clique aqui para assistir Íkaros. Ele voou. E nesse tempo de meio ano minha irmã conseguiu um estágio na área de enologia aqui onde estou, viemos buscá-la de volta, concluiu e está prestes a se formar. Meu pai deve estar orgulhoso, já tinha muito orgulho da filha se fazendo cientista de alimentos. Ia gostar daqui também. Terra bonita, clima bom. Daqui de Caldas registrei vários cenários que começam a alimentar uma nova ideia de ficção... Mas isso é assunto pro futuro, quando ele vier. O encaminhamento é que nesse tempo corrido de meio ano eu terminei meu primeiro roteiro de longa-metragem, Hecatombe, adaptação homônima de uma peça que comecei a escrever em 2015 e estreou em 2018. E agora aspiro a produzi-lo. Veremos. Todo passeio, viagem, caminhada serve pra criar movimento. Vá você também andar, e verá! Que essa vinda pra cá gere bons ventos.

25/02/2021 - Araraquara/SP

Hoje é dia de confinamento. Febre, dores, suspeita, cuidado. Você já deve ter passado por por isso. Porém aqui na minha cidade enfrentamos uma complicação e aumento de casos de enfermos do COVID19, vírus que se espalha no mundo todo desde o início de 2020.  Ontem na UPA, presenciei uma enfermeira anunciando a um rapaz sobre o isolamento de sua mãe, a necessidade de internação e a falta de leitos (tinham 17 pacientes na frente esperando). E essa situação toda só me fez pensar o quanto realmente precisamos nos cuidar, cuidar uns dos outros. E meu jeito de fazer isso é escrevendo histórias. Você já se sentiu cuidado, renovado, mais animado, depois de ver, ler, ouvir alguma história? 

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Se precisasse me descrever eu diria que sou um caipira cosmopolitano. E com muito orgulho, latino americano. Sou criador de histórias, essa é minha profissão, e também facilitador em comunicação e expressão. Escrevo o que vai em minha alma e por vezes gosto de materializar essas histórias, me aventurando na atuação ou direção. De personalidade ativista gosto de coordenar e produzir projetos na área cultural. Pessoalmente, canceriano com ascendente em Capricórnio, lua em Capricórnio, muitas coisas em Leão, mas não carnívoro, vegetariano. "Me contradigo, pois sim, me contradigo, sou vasto, contenho multidões." (Walt Whitman). Sou fã dos poetas e romancistas beatniks, Walt Whitman is my daddy (serei irmão da Lana?), meu corpo é elétrico. Vou citar nomes de autores e autoras que me fizeram sentir emoções fortes, Caio Fernando Abreu, Marcelino Freire, Cecília Meireles, J.K. Rowling (sonserino sou), Agatha Christie, Shakespeare, Molière, Hans Christian Andersen, Erico Veríssimo, Guimarães Rosa, José Luís Peixoto, outros e outras de romances água com açúcar aos montes! Às vezes escrevo textos estranhos, picotados, aparentemente sem nexo mas que se você reparar bem tem muito a ver. Sufjan Stevens, CocoRosie, Cazuza, MGMT, Yoñlu, Duda Beat, Jão e Panic At the Disco estão sempre nos meus ouvidos. Contudo uma de minhas músicas favoritas é A ilusão da casa de Vítor Rammil, na voz de Ney Matogrosso ou Maia (conhece? Conheça). Mas me chama pra ouvir sertanejo sofrência que vou adorar, assim como bailar malandramente. É isso, por enquanto! Bem vindo, bem vinda e bem vinde ao meu site.  

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José Guilherme (1991-Araraquara/SP). Foto: Andréa Palu.