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Hecatombe: A influência das redes


Original do grego, a palavra “hecatombe” era utilizada para designar o sacrifício de cem bois em homenagem à deusa Hécate. Nos tempos atuais é utilizada também para sacrifício de várias vidas, chacina, tragédias. Alexander, personagem do livro “Hecatombe” (disponível aqui), após sofrer uma grave agressão de bullying fica indeciso sobre manter ou acabar com a própria vida, pois passa a se sentir deformado, feio, pequeno. O pensamento de que é “impossível viver, não tenho forças, queria desaparecer” leva alguns jovens a procurar auxílio na web, em grupos secretos de discussão do valor da vida. Tanto a vida de outros que humilham, como a própria vida. Esses grupos proporcionam construção de laços que causam manutenção de patologias - ou seja, alguém com ideais suicidas ou assassinos encontra pessoas que o incentivam na morbidade - e glamourização da patologia, as pessoas constroem uma identidade a partir da patologia, pensando-a não como doença, mas como lifestyle.



Os jovens estão muito sós nesse mundo virtual, entregues à própria sorte, sem maturidade. Amores, destinos, vida e morte podem ser decididos em grupos virtuais. Quem fica mais exposto com a web é quem tem menos laços reais com o mundo. Para alguns é onde sua voz pode ser ouvida. Para dar o último passo é preciso da pessoa um desespero ou desesperança muito forte, ou alguém que faça voz. E é essa rede de suicídio e de ataques assassinos que diz “morra/mate” em contraponto aos que dizem “viva/deixe viver”. O que é dito em alguns fóruns é que vale a pena matar ou morrer. O que nos mantém vivos é as vezes mais tênue do que se imagina. O que nos mantém vivos é uma rede de pessoas que dependem de nós e que a gente depende delas: uma rede amorosa, afetiva, de compromisso. Alexander precisa de persuasão para matar e o coro de sua rede é muito sedutor ao convencê-lo de se “fazer justiça” por si mesmo, representando outros que sofreram e sofrem como ele. O projeto Hecatombe é sobre os conflitos juvenis, seus atos e consequências.


Com objetivo de valorizar a vida e as relações sociais humanas, este projeto busca provocar reflexão sobre as atitudes inconsequentes dos adolescentes, e lutar contra a intolerância diária que traz consequências drásticas, para o lado dos agredidos e dos agressores.

É preciso utopias para ter razões de estar no mundo. A ausência delas pode ser muito dura para um adolescente. Por isso Alexander e Mateo optam por viver em um mundo próprio e fogem para um bosque, para buscar, no isolamento, o resgate de suas utopias. A relação com Mateo é que trará Alexander de volta à realidade do mundo e o fará perceber que é preciso enfrentar a sociedade para ter a possibilidade de mudá-la.


Zé Guilherme

autor e pedagogo.

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